A Importância do Que Fazemos

14 maio 2015

O número de pessoas insatisfeitas com o trabalho vem aumentando consideravelmente nos últimos anos. Ao mesmo tempo, muitas pessoas têm adotado o lema ‘abandone o seu emprego e viva o seu sonho’, como uma espécie de solução a esta insatisfação contemporânea.

É interessante perceber como o aspecto profissional tomou dimensões maiores na nossa vida. A quantidade de pessoas que consegue atualmente terminar uma faculdade ou uma especialização e disputar uma vaga no mercado de trabalho cresceu significativamente. Há algum tempo, poucas pessoas tinham o privilégio de cursar o Ensino Superior, como você pode observar, talvez, até pela sua própria história familiar.

O aumento da quantidade de profissionais qualificados, no entanto, não vem sendo acompanhado por melhoria nas condições de trabalho. Horas extras e precarização dos contratos são alguns exemplos que contribuem para aumentar a insatisfação dos profissionais. Por outro lado, uma vez que a educação superior tornou-se mais comum e a sociedade se mostra mais livre, tendo desfrutado de maior estabilidade econômica do que antes e do fortalecimento das instituições democráticas, o universo de nossas possibilidades se expandiu. Com ele, cresce também nossa constante busca pelo melhor: da vida, do trabalho, das relações pessoais, do momento, do lugar onde estamos.

Esta busca incessante de sempre atingir um nível melhor, em algum momento acabará nos levando a questionamentos que vão além do âmbito meramente profissional. Vão ao encontro daquilo que é maior e mais importante: o propósito da própria vida. O mais puro e verdadeiro de nós mesmos. E essa resposta não se encontra no topo da hierarquia de um plano de carreira.

Encontrar este propósito é uma jornada interior, um caminho a ser construído na solidão das próprias angústias e anseios, completamente único e pessoal. Cada um sabe, intuitivamente, o rumo que deve seguir. Ele aponta para aquilo que deixa você mais feliz, motivado, querendo mais.

Um pouco de autonomia e sentir que você está contribuindo com o que sabe fazer de melhor acompanham esta sensação. Mais uma vez, o autoconhecimento nos guia para este encontro. Saber ouvir aquela voz interior, não o que os outros pensam de você ou o que você imagina que deveria pensar, é o que produz aquela sensação especial de saber que está no caminho certo, aproveitando e vivendo o presente, sem ansiedade ou preocupações exageradas. A terapia pode ajudar imensamente nesta jornada.

Vale lembrar que o lado profissional é apenas um aspecto da nossa vida. Temos muitos outros, todos importantes para a nossa felicidade. Nem todos nascem para largar a segurança e montar seu próprio negócio ou viajar o mundo. Nem todos encontram conforto em um trabalho seguro e bem remunerado. O que vai definir a sua felicidade, o seu encontro consigo mesmo, no trabalho, em um relacionamento familiar, amoroso, com os amigos, é sempre esta capacidade de ouvir sua própria voz interior e construir o seu próprio caminho.

Mariuza Pregnolato – Psicóloga clínica com especialização em Análise Comportamental e Cognitiva pela USP e em Psicologia Analítica Junguiana pelo Instituto Sedes Sapientiae.

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