LOGÍSTICA E TRANSPORTES COMO VEÍCULOS DE COMPETITIVIDADE

13 jan 2015

As atividades de transportes internacionais e logística tornam-se cada vez mais importantes no contexto mundial de globalização cada vez mais visível a cada dia. Quanto maior o comércio, maior a importância dessa atividade. Isso se deve à competitividade que as empresas têm sido obrigadas a apresentar para participarem do jogo internacional de comércio exterior. Jogo este cada vez mais disputado e visto como uma atividade de suma importância, tanto para empresas como para países.

É de conhecimento público que os tempos mudaram na economia e que, há muitos anos, as empresas já não têm mais a oportunidade de obter ganhos consideráveis na produção e na comercialização. Isso só ocorre agora em casos excepcionais, e de monopólio ou oligopólio. A concorrência é cada vez maior e os preços são internacionais. Pode-se obter os mesmos produtos com a mesma qualidade e preço em qualquer parte do mundo.

Nesse sentido, há bastante tempo já não existe mais a antiga e conhecida equação “Custo + Lucro = Preço“. Isso quer dizer que o vendedor não decide mais qual o preço de venda do seu produto ou serviço a ser colocado à disposição do consumidor, a não ser em raras oportunidades. Hoje, eles são colocados no mercado e este, soberanamente, decide quanto vai pagar na sua aquisição. Assim, a nova equação econômica que tem predominado no mundo único e sem fronteiras em que vivemos é “Preço – Lucro = Custo“.

O que isso significa e qual a atitude dos provedores de bens e serviços ao mercado? Significa, simplesmente, que só resta às empresas, cada vez maiores e mais globalizadas, adaptarem seus custos de produção e distribuição aos preços recebidos. Dentro disso, mantendo uma margem de sobrevivência que lhes permita dar um retorno adequado a seus acionistas. Assim como continuarem investindo para permanecerem competitivas e no negócio.

Isso explica parte da corrida em que as empresas se engajaram, há algumas décadas, por eficiência e redução de custo. O que tem sido alcançado por meio de mais tecnologia e racionalização do trabalho e menos mão de obra.

É nesse contexto que, hoje, o conjunto transporte e logística tem sido encarado como uma das mais importantes atividades do comércio exterior. Bem como também nas operações internas. Diante disso, acompanhamos, nas últimas pouco mais de duas décadas, as empresas brasileiras criando departamento, diretoria ou unidade independente de logística, conceito que vem se alastrando rapidamente desde a nossa abertura econômica em 1990. Já foi entendido por quase todo mundo que é nesse conjunto que se pode obter os maiores ganhos por meio da redução de custos. Mormente em nosso país, onde, sabidamente, esse item sempre engrossou as fileiras do famigerado Custo Brasil. E fortemente alimentado pela nossa conhecida incompetência logística, em razão da péssima matriz de transporte que temos e problemas de infraestrutura.

Com a privatização de operações portuárias a partir de 1995, conforme a Lei nº 8.630/93 – pena não ter havido uma privatização portuária de fato, com vendas de ativos -, em que o trabalho passou a ser realizado pela iniciativa privada, a logística ganhou uma importância sem paralelo na história de nosso comércio exterior, passando de coadjuvante a ator principal.

Aliado a isso, os modos de transporte interno, como a cabotagem, a ferrovia e a hidrovia, têm se transformado numa boa opção de racionalização e redução de custo de transferência de carga. Isso tem sido demonstrado com a privatização das ferrovias, que, embora ainda não tenham cumprido o papel que lhes está reservado, já apareceram bastante e estão em crescimento contínuo, bem como pelos investimentos realizados na hidrovia, embora muito poucos. Esses três modos podem, e devem, com o tempo, revolucionar e provocar mudanças na matriz de transporte, principalmente de produtos de baixo valor agregado, como agrícolas, fertilizantes, minérios etc., já que eles apresentam os mais baixos custos de transporte entre todos os modos.

Com o importante avanço que está sendo apresentado pela navegação de cabotagem, que tem sido olhada cada vez com mais atenção pelos embarcadores e seus prestadores de serviços, crescem as formas viáveis de se levar uma carga de seu ponto de origem a seu destino, tanto internacional como localmente, bem como para nossos portos.

Hoje, portanto, a empresa tem de se valer dos modernos conceitos aplicados na área de movimentação e transferência de mercadorias, ou seja, visualizar a logística como uma arma poderosa de sobrevivência e superação de dificuldades. Bem como uma chance de se colocar à frente de seus competidores, tanto realizando por conta própria como de forma terceirizada. Caso contrário, estará perdendo a oportunidade que a história estará lhe dando para atingir os seus objetivos primários já citados.

Pena que nesse conhecido contexto, o governo não tem participado com a sua parcela de indutor do desenvolvimento. Por um lado, não investindo o suficiente na infraestrutura brasileira. Por outro, não repassando à iniciativa privada a responsabilidade pela construção e investimento de portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias etc.

Com esse descaso, o governo ainda não percebeu a importância da logística para o País. E nem se deu conta da classificação que o Fórum Econômico Mundial tem para a infraestrutura no mundo. E que nos coloca, em 2013, como o 107º colocado. Individualmente, estamos 91º em ferrovia, 110º em rodovia, 122º em aerovia e 135º em portos. Uma vergonha perante nós mesmos e o mundo.

Autor(a): SAMIR KEEDI

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