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  15.03.06 GLOBALIZAÇÃO
    Marcos Vallias
     
    I – É possível ficarmos ao largo da globalização?

Vivemos sim um mundo globalizado. As culturas se encontram e o comércio entre países torna os costumes, as vestimentas, a alimentação cada vez mais comum além das religiões, da própria terminologia lingüística, e afinal, da integração mundial quase em sua totalidade. As negociações multilaterais no âmbito da Alca, do Mercosul – Comunidade Européia e da Rodada Doha tornam-se mais efetivas e o Brasil não está de camarote assistindo aos últimos acontecimentos como que fora do clube da OMC. Pelo contrário, não é possível ficar ao largo da Globalização. Estamos nela inseridos como co-adjuvantes e buscamos no livre comércio entre nações o equilíbrio de nossa Balança Comercial, afinal, as exportações brasileiras vêm crescendo com vigor – 148% em 10 (dez) anos – e o saldo da Balança parece saudável. Mas o mundo não permanece parado na dinâmica de novas oportunidades de negócios e dos acordos bilaterais, pois a cada dia vemos surgir novas propostas de acordos firmados entre países que visam o desenvolvimento da potencialidade de cada um e o contínuo crescimento da economia mundial.

Todo o mercado se mobiliza frente às necessidades de um mundo cada vez mais globalizado, o país se adapta frente às novas possibilidades de comércio desenvolvendo novas relações econômicas, assim como toda uma infra-estrutura que facilite e atraia novos negócios que possam gerar o crescimento da economia do país.

Como exemplo disso temos a ampliação de diversas rodovias que ligam o Brasil aos países da América do Sul visando a facilitação do transporte e conseqüentemente do comércio entre esses países, além da criação de Aeroportos Industriais e aumento da capacidade dos Portos Secos já existentes no País. Setores da iniciativa privada no Brasil tem buscado uma promoção dos investimentos internacionais no País, atraindo empresas estrangeiras de diversos setores através da abertura de filiais ou o estabelecimento de parcerias. Da mesma forma os setores públicos têm investido nessas parcerias, um exemplo disso são as causas humanitárias que envolvem não somente o Governo, como empresas privadas, pessoas influentes nos meios de comunicação em massa e a sociedade civil.

Por fim, a maior prova de que não vivemos à margem da globalização é o atual mercado financeiro. Diariamente acompanhamos nos telejornais e mídia impressa a forma como as variações de mercado influenciam no dia-a-dia do País, ou seja, qualquer oscilação no mercado externo ou interno causa uma reação imediata dos mercados adjacentes tornando assim os países co-dependentes uns dos outros.

II - Qual a melhor maneira do país lidar com a globalização?

A melhor maneira do país lidar com a globalização
no nosso entendimento, é sem dúvida entrar na dinâmica de grupo, fazer com que as empresas brasileiras a exemplo das do Chile que têm tratados de livre comércio com os Estados Unidos, a União Européia, o Canadá, o México, a Coréia do Sul, a Associação Européia de Livre Comércio e a China. Têm também acordos de comércio com Cingapura, Nova Zelândia, América Central, Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, Peru e Venezuela e é membro-associado do Mercosul e está ainda em franca negociação com a Índia, Japão, Tailândia e Malásia.

Vejam que belo exemplo de nosso parceiro e irmão, o Chile. Serve de modelo para o Brasil, já que na competência tecnológica estamos caminhando a passos largos. O grande desafio, é claro, é identificar os melhores alvos para acordos internacionais bilaterais ou multilaterais. E é nisso que acreditamos firmemente, que o setor privado é soberano em avaliar juntamente com as entidades setoriais, sobre as oportunidades, ofertas, mercados e tecer um plano de ação mais confiante e otimista para poder cada dia mais ter uma participação efetiva no cenário mundial. A cooperação do setor privado, planejamento e financiamento de estratégias de desenvolvimento é fundamental para o crescimento da economia global, assim como as parcerias realizadas entre as empresas de diversos setores. Porém, não só a iniciativa privada é responsável por desenvolver essa fatia do mercado, os setores públicos também visam esse crescimento, por exemplo os setores de desenvolvimento da agricultura nacional que realiza pesquisas sobre o cultivo de produtos e medidas paliativas para o uso de alimentos transgênicos, assim como o setor de saúde que continuamente luta para combater doenças infecto-contagiosas, projetando o país mundialmente na luta ao combate do câncer e à transmissão do HIV.

Como já foi dito anteriormente não podemos ficar ao largo da globalização, é preciso que acompanhemos cada passo dado rumo a essa tendência e busquemos o aperfeiçoamento do mercado interno em relação ao mercado externo, para que haja uma maior competitividade nos diversos setores e assim o conseqüente desenvolvimento da economia mundial e superação das nossas expectativas. Interessante ressaltarmos a forma como a globalização afeta os países de diferentes maneiras, vejamos os países que se destacam como potências – exemplo os EUA – o reflexo de seus problemas internos é sentido em todo o mundo, como o caso do crash da bolsa de Nova York em outubro de 1929 que abalou as estruturas de diversos setores do mercado mundial, levando ao fechamento de bancos, empresas e até mesmo ao suicídio de pessoas que foram diretamente atingidas por essa depressão do mercado. Já o tsunami que atingiu a Ásia em 2004 apesar de ter mobilizado toda a população mundial na ajuda aos sobreviventes e reconstrução das áreas afetadas não causou o mesmo impacto que o crash a nível mundial. O abalo no mercado econômico se restringiu aos países asiáticos devido ao prejuízo no abastecimento interno e às perdas no setor turístico que movimenta milhões de dólares todos os anos.

Desta forma, pode-se dizer que o impacto da globalização é diferente em cada país ou região, e que mesmo em um mundo globalizado nem todos sentem as benesses ou mazelas que os outros.



 

 
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